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terça-feira, 9 de março de 2010

MÚSICA


Concerto (1485-95), quadro a óleo de Lorenzo Costa (m. 1535)



A música (do grego μουσική τέχνη - musiké téchne, a arte das musas) é uma forma de arte que constitui-se basicamente em combinar sons e silêncio seguindo ou não uma pré-organização ao longo do tempo.


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segunda-feira, 1 de março de 2010

A fascinante "O Bêbado e a Equilibrista" de João Bosco e Aldir Blanc

"O Bêbado e a Equilibrista" é uma das mais famosas músicas que berraram nos ouvidos da covarde ditadura - mesmo "covarde ditadura" sendo redundante, vale destacar - militar que assolou - e assombrou - o Brasil de 1964 a 1985. A música foi composta por Aldir Blanc e João Bosco e lançada no LP "Linha de Passe", em 1979 e gravada por Elis Regina, voz que deu forma à música e ficou conhecidíssima.
Como a doce adjetivação da esperança - equilibrista - existem muitas possibilidades para as geniais - e geniosas - metáforas de Aldir Blanc. Como a de que as "estrelas" seriam generais e "céu", a prisão. *
Betinho, sociólogo, ativista pelos direitos humanos, perseguido e exilado na época do regime militar, era irmão do, também genial, Henrique de Souza, o cartunista Henfil, este que foi apresentado ao compositor Aldir Blanc por sua amiga, a cantora Elis Regina, no verão de 1975, iniciando assim uma boa amizade.
Henfil costumava encher os ouvidos do amigo de suas memórias do "mano" Betinho, exilado desde 1971.
Sensibilizado com o falecimento de Charlie Chaplin, João Bosco compôs uma linda melodia em sua homenagem e chamou Aldir para mostrá-la. Aldir letrou a música e fez uma singela homenagem ao rimar "Brasil" com "irmão do Henfil", esta rima, que por sua vez teve papel de emoção, mobilizição, transformação e incentivo a uma nação reprimida. Aldir afirmou que se dissesse "Betinho", ninguém reconheceria, a referência ao irmão Henfil era mais forte, ele já tinha fama na época, enquanto a imagem pública de Betinho veio a se formar com força já pelos anos noventa, principalmente após a criação da "Ação da Cidadania".
Herbert de Souza, o Betinho, ouviu pela primeira vez a canção, na doce voz de Elis, exilado no México. Seu irmão o telefonou e pôs, sem nada avisar, para que ouvisse. Ao enviar a fita cassete, Henfil escreveu um recado: "Mano velho, prepare-se! Agora nós temos um hino e quem tem um hino faz uma revolução!". Dito e feito!
A campanha pela anistia irrestrita foi a primeira movimentação nacional que obteve sucesso desde o início da sangrenta ditadura militar no Brasil. Vários manifestos ocorreram no mundo inteiro, inclusive a Conferência Internacional da Mulher, no México, que fez de 1975 o Ano Internacional pela Anistia.
Em 1979, Betinho desembarcou no Aeroporto de Congonhas e se deparou com uma manifestação: Cerca de duzentas pessoas cantavam "O Bêbado e a Equilibrista".



* Análise Política de termos da música "O Bêbado e a Equilibrista", segundo o sítio www.ponto.altervista.org/musica/entrelinhas/bebado.pt.html

O Bêbado e a Equilibrista no Youtube (Elis Regina) - http://www.youtube.com/watch?v=mcYCP1nEdUA

O Bêbado e a Equilibrista no Youtube (João Bosco) - Introdução: Smile (Charlie Chaplin) - http://www.youtube.com/watch?v=gSKAPQ9g8iI

A volta dos exilados, em versão da minissérie "Queridos Amigos" - http://www.youtube.com/watch?v=_lt3YU8iEBg

Para conhecer mais: Betinho - http://www.ibase.org.br/modules.php?name=Conteudo&pid=40

Conheça a Ação da Cidadania - http://www.acaodacidadania.com.br/

Lista cruel do Livro Negro da Ditadura - http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_cassados,_exilados,_presos,_torturados_ou_mortos_pelo_Regime_Militar_de_1964
























Herbert de Souza - O mobilizador social



















Aldir Blanc - O letrista






















João Bosco - Homenagem a Chaplin homenageou o Brasil
























Chaplin - morto em dezembro de 1977






















Henfil - O falante



















Elis Regina - A notável voz que emocionou toda uma nação























Vladmir Herzog - Jornalista torturado e ASSASSINADO por torturadores que teve o suicído - muito mal - forjado. Um dos símbolos da ditadura.


O Bêbado e A Equilibrista

Elis Regina

Composição: João Bosco e Aldir blanc

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos...

A lua
Tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens!
Lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Prá noite do Brasil.
Meu Brasil!...

Que sonha com a volta
Do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora!
A nossa Pátria
Mãe gentil
Choram Marias
E Clarisses
No solo do Brasil...

Mas sei, que uma dor
Assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança...

Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A curiosa "Shimbalaiê" - Maria Gadú


Shimbalaiê, da notável cantora paulista Maria Gadú, chegou recentemente ao cenário da música nacional, mas já se consagrou como uma das curiosidades da MPB - e polêmicas também.
Curiosa por ter sido composta pela menina que, na época, não passava de seus dez anos e polêmica por ter conseguido, em menos de um ano de vinculação na mídia, uma "bíblia" de significados atribuídos ao misterioso nome. Alguns fanáticos religiosos a acusam de envolvimento em religiões possivelmente obscuras - o que, na minha opinião, dá um toque de comédia às análises, alguns neologistas - assumidos ou não - colocam em listas seus significados, algumas vezes sábios, proféticos ou baseados em antigos provérbios, enquanto linguistas afirmam não conhecer o termo, nem significado algum que possa defini-lo.

A própria cantora, quando questionada, afirma não conhecer o significado da expressão, e contrapõe docemente: "Criança gosta de inventar palavra mesmo". A canção nasceu em uma viagem à Ilha Grande, no Rio de Janeiro, e só tinha como função descrever o local em um momento ocioso.
"Gadú" - como é chamada por muitos fãs - foi obrigada a gravá-la pela mãe com treze anos. Ela brinca: "O sonho dourado da minha mãe era que eu gravasse essa música".
Anos depois, na época da produção do seu primeiro disco "Maria Gadú", foi novamente obrigada a gravá-la, desta vez por seu produtor, Rodrigo Vidal.
Atualmente, a prodigiosa música é single da novela do horário nobre da Rede Globo de Televisão, "Viver a Vida", de Manoel Carlos e mais: é single nacional.
Na minha humilde opinião, um transformador da letra que a torna mais especial, quase genial é o seguinte trecho:

"Ser capitã desse mundo/ Poder rodar sem fronteiras/ Viver um ano em segundos/ Não achar sonhos besteira/ Me encantar com um livro/ Que fale sobre vaidade/ Quando mentir for preciso/ Poder falar a verdade"

Palavras que se tornam muito mais doces ao notarmos que foram externadas por uma criança.

Shimbalaiê - www.youtube.com/watch?v=Ph-pLZEVWGs

Myspace Maria Gadú - www.myspace.com/mariagadu


Capa do CD "Maria Gadú"

A otimista "Smile" - Charlie Chaplin/John Turner/Geoffrey Parsons * Sorri - Braguinha


Smile, lendária canção que teve a sua melodia composta por Charlie Chaplin em 1936 para o histórico filme "Moderns Times" (Tempos Modernos) e letrada em 1954 por John Turner e Geoffrey Parsons, enviou uma mensagem de otimismo para o mundo naquele ano.

A versão mais famosa gravação é a do, também mítico, Michael Jackson. Que pode ser ouvida através do endereço: http://www.youtube.com/watch?v=nCpD72b-dfs

Desta música, nasceram duas versões: em Português e Esperanto*.
A versão brasileira foi apresentada pelo compositor João de Barro, também conhecido como Braguinha, em 1955, intitulada "Sorri" e imortalizada na voz do também compositor e cantor Djavan, que pode ser ouvida no seguinte endereço: www.youtube.com/watch?v=NUGRBYVzYG8


* Para saber um pouco sobre o Esperanto: http://pt.wikipedia.org/wiki/Esperanto






A estátua de Braguinha, localizada na saída do Túnel Novo, deseja as boas vindas a quem chega à Copacabana de braços abertos.




























Pôster do aclamadíssimo filme "Modern Times", de 1936. O filme é utilizado até hoje como material alternativo para os estudos sobre a Revolução Industrial nas escolas.